Physical Therapy - Ostheopaty - Global Postural Reeducation

Physical Therapy, Ostheopaty, Global Postural Reeducation

novembro 12, 2010

Chega de falar sobre a crise!

É uma evidência que estamos em crise, que os nossos políticos deixam muito a desejar e que por isso vamos todos viver pior. Agora chegou aquele momento em que temos de passar à frente, deixar a parte da depressão que nos leva a uma certa inércia, arregaçar as mangas e usar de toda a nossa energia para viver e trabalhar debaixo do tecto da instabilidade. As nossas vidas não podem ficar em standby, em suspense à espera do dia em que tudo se resolva.

As nossos antepassados viveram momentos de crises, de guerra e sobreviveram e construíram o futuro que somos nós.

E porque falo eu sobre este assunto num blog de saúde? Porque a tendência é para que a venda de caixas de anti-depressivos aumentem, para que deixemos de cuidar na nossa saúde porque estamos a corta a direito em tudo o que são despesas sem priorizar. Nada de alarmismos, um dia de cada vez, e o sorriso 33 como sempre, aplicado e não debaixo da manga.
Se o tempo deixar, sugiro um sítio especial para voltarem a cuidar da saúde física e mental, o Jamor. Tem sofrido remodelações muito interessantes e é hoje um espaço muito simpático, para miúdos e graúdos praticarem, a nível amador ou profissional, actividade física e os desportos mais variados. Colocaram um pequeno ginásio de rua, em que o peso do corpo serve de resistência aos exercícios, muito bem acompanhado por música para quem ainda não aderiu ao esquema dos mp3 quando faz exercício.
Aceita o convite?

outubro 20, 2010

ATM

Hoje apresento ao público em geral uma articulação que tem vivido nas obscuridade e está envolvida em mais problemas do que pensamos, a ATM. A ATM, articulação temporo-mandibular é a articulação da mandíbula. Entra em actividade sempre que falamos, comemos ou bocejamos e tal como a articulação do joelho, também possui um menisco. Muitas vezes a sintomatologia surge como uma dor no ouvido e como nunca pensámos na ATM como um potencial motivo de dor consultamos especialidade médicas erradas. Outras dores irradiadas poderão estar na base de uma disfunsão da articulação, dores cervicais, dores nos olhos, dores de cabeça, dores no ombro. Como sempre escrevo, o nosso corpo funciona na globalidade e as estruturas relacionam-se para o bem e para o mal. Um músculo em tensão que tem origem no crânio e inserção no ombro poderá estar na base da relação entre dores de cabeça e de ombro.
Porque pode aparecer dor nesta articulação? Por exemplo por um problema de má oclusão, isto é, uma mordida desequilibrada por falta de um dente, por uma prótese que não está bem ajustada ou por características próprias de cada individuo que deverão ser cuidadosamente estudadas pelo médico dentista.
Quando come está sempre a ouvir ressaltos (estalos)? Poderá ter um problema da ATM, no seu menisco ou mesmo no funcionamento dos músculos que movem esta articulação.
Se sente algum dos sintomas que descrevi e anda há algum tempo a tentar perceber qual é o seu problema, seria interessante começar com uma consulta num dentista, fisioterapeuta ou osteopata que trabalhe nesta área. 
Podem sempre apresentar as vossas queixas em comentário que lhes darei a minha opinião.

setembro 09, 2010

Pequenos gestos de saúde por todo o amor que temos à vida

Para começar gostaria de desejar um bom regresso ao trabalho ou à escola a todos. Foi um Verão excelente! As águas estiveram magníficas.

Depois desculpo-me por não ter escrito um pequeno post ontem, em homenagem à profissão que tanto adoro, a minha. Dia 8 de Setembro é o dia mundial da Fisioterapia. Parabéns a todos os fisioterapeutas que, com o seu amor à camisola, trabalham para dignificar esta profissão.

E agora sim, vamos ao tema que me trouxe hoje de volta à escrita. Este blog é um acto de liberdade e não algo que me imponho fazer, por isso só escrevo quando tenho realmente algo a dizer. Às vezes demora até que apareça uma ideia com valor suficiente para ser partilhada.
Este é um tema sobre o qual já falei "n" vezes e que continua a perturbar-me. O que leva o ser humano a permanecer tão longe dos cuidados de saúde e só recorrer a um médico quando algo não está bem? O que nos faz desprezar a prevenção, os exames de rotina? Preguiça? Medo?
Se nos levantamos todos os dias e vamos trabalhar porque gostamos da nossa profissão e precisamos do dinheiro para continuar a viver, se lavamos os dentes para não ter caries, se lavamos as mãos antes de comer, se temos tanto medo da morte, da dor, de não podermos celebrar o amanhã com todos os que amamos, porque?
Por desconhecimento não acredito. Somos diariamente bombardeados com informação.
Quando foi a última vez que fez um check-up? Quando foi a última vez que foi ao ginecologista?
A ciência e a medicina são mesmo um milagre quando detectamos os problemas cedo, porque continuamos a enterrar a cabeça na areia?
Emocionamo-nos com os filmes, pois emocionemo-nos com a nossa vida. Quero ver cada pessoa que ler este blog fazer um "pequeno gesto de saúde". Marque uma consulta para si, fale com alguém próximo sobre este assunto, questione-se porque não? É tão simples prolongar a nossa vida.
Depois partilhem comigo.
Sim, é a puxar ao coração, pouco cientifico mesmo, mas o que será necessário para nos libertar da inércia?


julho 15, 2010

Curiosidades do Sistema Digestivo

A vida não vem com um manual de instruções. Cada um vai escrevendo o seu manual, vivendo, errando, caindo e levantando-se. Não há muita volta a dar e o sofrimento é inerente à aprendizagem. Da mesma forma o meu blog não procura dar receitas mas pontos de reflexão para percebermos melhor o nosso corpo. Pontos de partida para um caminho que podemos ou não escolher fazer.
Em alguma altura da vida um profissional de saúde acaba por se sentir um pouco "papagaio" ou um pregador no deserto. Damos tanta informação sobre conselhos a seguir, alterações nos hábitos, nas rotinas, nos gestos. Alguns doentes são mais disciplinados e lá vão tentando, outros... De qualquer forma a mudança é um desafio para toda a vida, e um processo muito lento, mesmo para quem empenhadamente mergulha nele. Eu, na primeira pessoa, compreendo a dificuldade.
Hoje convido-vos a pensar sobre o vosso sistema digestivo e sobre as atrocidades que lhe fazemos. Não seremos nós aquilo que comemos? Cada vez me deparo mais com pessoas com distúrbios alimentares, o que me deixa sempre um pouco receosa na hora de falar neste tema, mas é importante, por isso tem de ser falado. Mais do que sob o ponto de vista estético temos de pensar na nossa dieta alimentar enquanto caminho para a saúde. A comida permanece no estômago 3 a 6 h. Assim, é fundamental que não deixemos passar esse intervalo sem ingerir alguma comida. Para os cuidadores dos nossos queridos velhinhos, é fundamental explicar a estas pessoas que a fome nem sempre tem uma relação directa com a necessidade de alimento e que por vezes não sentimos fome, nem sede e o nosso corpo necessita desesperadamente de comida e água. É importante fazer chegar esta informação aos nossos avós. Todas os dias passam por mim anciãs lindas que dizem ter perdido o apetite. Temos, de uma forma carinhosa, que passar a ideia de que é normal que exista uma diminuição no apetite, mas têm mesmo de continuar a comer. 
Atenção à ingestão de líquidos. Nesta altura do Verão muitas pessoas de idade são internadas por desidratação.
Agora está na moda o uso de glucosamina nas artroses, para estimular a produção de uma substância que faz parte das cartilagens. A reflexão que me propuseram um dia foi, será que uma refeição de 5 em 5 horas não promove o aporte de glucosamina, em quantidades mais significativas do que numa toma diária? Uma das medidas de prevenção das artroses e de promoção da saúde do osso é uma dieta equilibrada. Como todos já sabem, pouca comida muitas vezes ao dia.
Quem pretende tornar-se vegetariano não se esqueça que a vitamina B12 apenas entra no nosso organismo através da carne e do peixe. É o único suplemento obrigatório para todos os vegetarianos. Sobre os demais terão de controlar com análises de rotina constantes.
E para terminar este tópico de curiosidades falo sobre um tema que se fosse no século passado poucos dariam créditos, hoje em dia mais pessoas começam a aceitar. Para os chineses e outros autores que terapeuticamente abordam a parte visceral, o estômago tem um arquétipo masculino, representa a nossa necessidade de reconhecimento social, a nossa responsabilidade social. É muito frequente aparecerem disfunções quando esta é posta em causa e muito frequentemente no homem. Quantos e quantos canalizam o stress para o estômago em momentos que sentem o seu papel social a ser afectado. Por sua vez o intestino representa um arquétipo feminino e traduz o controle, a necessidade de controle da nossa vida. É tão frequente ver senhoras com síndrome de cólon irritável, em fases da vida que perderam o controle dos acontecimentos. Deixo para reflexão. Deixo para que relacionem com o que vêem, com o que sentem. Para mim faz sentido, vejo-o diariamente nos meus pacientes, nos que me vão estando próximos. 
O que pensam os meus amigos sobre o assunto? Sim, sim, também quero ouvir aquelas vozes cépticas, na maioria das vezes masculinas... :-)

julho 12, 2010

Vacina contra o tétano

Hoje escrevo sobre um tema de saúde geral, porque a fisioterapia e a osteopatia promovem a qualidade de vida, mas sem vida não pode haver qualidade.

Durante a infância e adolescência o plano de vacinação é cumprido na medida em que sem as vacinas em dia não é possível fazer matrícula nas escolas. Contudo, terminando a vida escolar, os boletins de vacinas, muitas vezes muito bem guardados em gavetas e caixinhas que nunca abrimos vão amarelecendo, e as vacinas são esquecidas. Vamos de férias para o estrangeiro, fazemos todas as vacinas estranhas mas estamos em atraso no óbvio. 

O tétano é uma doença muito grave e com uma baixa taxa de sobrevivência! De 10 em 10 anos deverá fazer um reforça da vacina, durante toda a vida.
Gastam-se milhões em investigação de novas vacinas, novos medicamentos, novos exames complementares. Passamos horas a "refilar" com o sistema nacional de saúde, mas depois não estamos atentos aos cuidados básicos, que só de nós dependem.
Não deixe para amanhã. Consulte já hoje o seu boletim de vacinas e corra para o seu Centro de Saúde.

julho 08, 2010

Perguntas e Respostas

Por vezes iniciamos pelo mais complexo sem desmontar o simples.
Hoje vou tentar colocar-me no lugar da população em geral e responder a questões simples, que fazem toda a diferença. Mais do que denunciar um sistema que se mantém vivo porque se auto alimenta, porque a todos interessa, tentarei encaminhar quem procura um serviço de qualidade. Sim, vou chocar e dizer o que tem de ser dito. Quem quiser que prove o contrário.

Onde devo fazer fisioterapia?
Esqueça as clínicas que têm acordo com a "Caixa". Deixam muito a desejar, fazem tudo menos fisioterapia. Quem é o culpado? O Estado porque paga mal e por isso não se dá ao trabalho de perceber o que é a fisioterapia; as clínicas porque ainda fazem acordos com o Estado. Interessam a quem não procura cuidar-se mas viver de subsídios e a quem quer a reforma antecipada.
Quem tem ADSE ou outro subsistema de saúde procure um serviço a sério. No final será comparticipado com parte do valor. Só terá de entregar a burocracia toda que eles pedem. Informe-se. Para mais pormenores procure na internet, pergunte na clínica ou escreva-me um e-mail. Poupará dinheiro, tempo e ganhará saúde!

Existem fisioterapeutas especialistas?
Formalmente não, mas os fisioterapeutas acabam por direccionar as suas formações nesse sentido. Quem quer trabalhar em todas as áreas não faz de certeza um bom trabalho. Alguém que trabalha há 10 anos na área da neurologia não sabe fazer um trabalho especializado em ortopedia e vice-versa. Procure fisioterapeutas especialistas.

Como sei se estou a ser bem tratado?
Facilmente perceberá através dos resultados e de toda a envolvência, contudo fica uma dica, se o seu tratamento, no total, demora menos de 30 minutos desconfie. Se faz sempre as mesmas coisas e nem é visto pelo profissional, informe-se, questione, seja exigente no que concerne a sua saúde.

Preciso de fazer tratamentos, onde devo recorrer?
Quando vamos a um médico, escolhemos uma escola para os filhos ou compramos um bolo de aniversário, falamos com os amigos e procuramos referências positivas. Porque não o fazemos com a fisioterapia? Porque colocamos a nossa saúde nas mãos de alguém antes de falar com alguém que conheça o espaço. Informe-se junto de outros profissionais. Se se encontra em Lisboa, Santarém ou Algarve pode sempre pedir-me uma opinião.
Se procura um profissional para realizar tratamentos de RPG pode recorrer aos sites: http://www.itg.com.pt/ ou http://reeducacaoposturalglobal.blogs.sapo.pt/
O futuro desta área depende da exigência dos seus utentes. Como na televisão, quem determina o rumo dos acontecimentos são as audiências. Dê uma oportunidade ao seu corpo e a quem quer fazer um bom trabalho.

Boas escolhas.



junho 15, 2010

Olhando de frente a nossa postura

Apesar de não ter comentários nos últimos posts, acho curioso que alguns fieis leitores continuam a cá vir e por eles eu continuarei a escrever, mesmo em alturas de caos e de falta de tempo, como são as últimas semanas deste mês de Junho. Nas férias terei muito tempo e irei certamente dedicar algum tempo a escrever sobre temas que tenho em mente, mas aos quais ainda não me dediquei.
Hoje tinha vontade de mais uma vez escrever sobre a Fisioterapia, sobre cenas deprimentes que até mim chegam através de colegas, mas fartos de notícias negativas já nós estamos e hoje é um dia de esperança porque até joga a nossa selecção.
Um professor disse em aula uma frase que me ficou na memória, "a nossa postura é a nossa daaptação à gravidade". No fundo o nosso corpo posiciona-se para se adaptar à gravidade, regendo-se sempre por uma lei de economia de esforço.
Muitas vezes oiço as pessoas dizerem, com um certo sentimento de culpa, que têm uma postura péssima. O que acontece é que nós, na sua maioria, não controlamos conscientemente a nossa postura. Ela é o reflexo daquilo que somos, enquanto corpo e enquanto pessoas. Reflecte a nossa relação com o meio, quer seja com a gravidade, com os objectos ou com as pessoas.
Uma vez trabalhando com um jovem de 14 anos dei mais um passo no entendimento da postura e da relatividade das coisas. Este adolescente tinha um postura péssima, mas ele era cerca de 20 cm mais alto do que todos os seus amigos. Como quereria eu que ele andasse recto? Para isso teria de estar sentado enquanto falasse com os demais, ou viver confinado ao mundo dos altos, não comunicando visualmente com os amigos. Questões de resolução não tão simples. Na maioria dos casos a abordagem é complexa e necessita de apoio de um técnico especializado, mas há pequenas coisas que podemos começar já hoje a mudar. Sim, já hoje porque a mudança, segundo alguns impossivel, é na minha opinião lenta, mas possivel.
Deixo-vos com algumas questões sobre as quais todos já pensámos, mas que a inércia ainda não nos ajudou a mudar. Um apelo a que demos uma ajuda consciente ao nosso corpo nesta tão nossa adaptação à gravidade.
  • O seu computador está na sua frente ou está esteticamente colocado de lado?
  • Chega com os pés ao chão, quando está bem sentado na cadeira da sua secretária ou necessitará de um pequeno apoio para os pés?
  • A sua almofada é de tal forma alta que em vez de servir de apoio à cabeça é ela que determina a posição da cabeça?
  • Continua a "enrolar" a sua coluna para a frente, em vez de flectir (dobrar) os joelhos quando quer levantar objectos?
  • Carrega objectos pesados afastados do tronco?
  • Quando escreve no computador sente como se tivesse "mergulhado" em cima do teclado e do rato?
  • Nunca mais fez os tais exercícios que o seu fisioterapeuta lhe indicou?
  • Ainda não iniciou a sua prática desportiva?
Não deixe para amanhã o que pode fazer hoje. Força!

maio 29, 2010

Juntos contra o caos na fisioterapia

Estive a rever posts mais antigos e deparei-me com alguns comentários recentes. Agradeço os comentários de todos e prometo ficar mais atenta ao que vão escrevendo nos posts em arquivo.
Curioso, o post mais comentado, de longo, foi aquele em que falei sobre o caos na fisioterapia. Por um lado é positivo porque nos preocupamos com a profissão e isto nos destabiliza e nos faz falar, desabafar, gritar. Por outro lado, é sinal que a profissão está mesmo com problemas e que estamos a deixar que este pessimismo nos envolva, nos afunde.
Gostaria de pegar em toda esta energia e convidar todos os que por aqui passam a assinar uma petição dirigida à Assembleia da República a pedir para que o assunto de tornar a Associação Portuguesa de Fisioterapeutas numa Ordem seja debatido.
Depois de tanto falarmos agora existe algo concreto a fazer. Quem estiver interessado envie-me um e-mail que eu reencaminho a petição. Vamos acabar com os vazios legais, com as clínicas de encher chouriços, vamos provar que somos profissionais dedicados, que sabemos fazer diagnóstico em fisioterapia e que sabemos trabalhar em equipa, numa equipa em que todos participam e são ouvidos. O convite é para fisioterapeutas e público em geral, que também tem tudo a ganhar com um pouco de ordem e regulamentação nesta profissão linda, mas tão mal tratada.
Um bom fim-de-semana para todos!

maio 21, 2010

Introdução ao tratamento visceral


Faltando sugestões, terei de continuar a escrever sobre o que acho que vos poderá interessar. Correndo o risco de escrever sobre temas que a ninguém interessam. Contudo, a informação é sempre útil, digo eu, alguém completamente viciado em informação só pelo prazer que esta me dá. Desde já partilho a minha dificuldade em tornar este post acessível a todos e ao mesmo tempo interessante para todos, se me entendem.
Vira-se uma nova página na minha formação e começo agora a mergulhar no tratamento visceral. Para os mais cépticos uma pequena explicação, os nossos órgãos vivem, como os nossos músculos, ligamentos, ossos, fáscias, de sangue que lhes chega (vascularização), através do qual recebem alimentação e informação hormonal, recebem ordens do sistema nervoso (inervação) e possuem ainda uma extensa rede de vasos linfáticos que entre outras funções facilitam a chegada das nossas defensas (glóbulos brancos) onde estas são necessárias. Todo um metabolismo que permite que cada órgão realize a função para a qual foi concebido e se relacione com os demais. Facilmente se perceberá que uma obstrução na chegada de inervação ou vascularização, mais ou menos próxima, vai interferir com o funcionamento desse órgão. Ora vejamos um exemplo muito simples, o nosso sistema nervoso autónomo divide-se em sistema simpático, aquele que nos prepara para a acção, para a “luta” e um sistema parasimpático, reparador, que privilegia o acção visceral e nos permite relaxar. A inervação parasimpática do nosso estômago é da responsabilidade do X par craniano, o nervo vago. Para quem não percebe nada destas coisas o nervo Vago tem origem no crânio. Desde que sai até que chega ao estômago percorre um longo trajecto. Se houver pelo caminho um “acidente” esta informação não chegará ou chegará incompleta. E em que consiste este trabalho visceral? Consiste em avaliar e perceber o que se está a passar com cada visceral. Tão simples como complexo e eficaz.
É verdade, essa dor nos seus trapézios superiores (músculos que ligam o pescoço aos ombros) poderá estar relacionada com a sua dor de estômago e com as digestões difíceis. Sim, há algo mais que poderá fazer para diminuir as tensões que sente no seu abdómen.
E o mundo que era limitado torna-se cada vez mais amplo, e tudo se relaciona com tudo desde que o conhecimento e a razão estejam aliados a um busca entusiástica das relações e em última instância da melhoria da qualidade de vida dos que por nós passam.
Enquanto não houver sugestões da vossa parte, escreverei um pouco mais sobre este tema tão apaixonante.

abril 27, 2010

Questões, Dúvidas e Reflexões

Caros leitores,
Há algum tempo que decidi escrever este post. Há algum tempo que desejo que este blog seja mais nosso do que meu.
Ando a bater às portas, será que as tenho conseguido abrir?
Até que ponto são importantes as questões abordadas? Até que ponto respondem às vossas dúvidas e às minhas?
Assim, enquanto outras questões mais pertinentes não baterem à minha porta, gostaria de escrever posts sobre temas sugeridos por aqueles que me mantém a escrever: os números anónimos de pessoas que continuam a abrir esta porta, o blog AllFisio.
Conto com as vossas Questões, Dúvidas e Reflexões.

abril 11, 2010

Remédio para todos os males

Trabalhar na área da saúde: um privilégio

Caros leitores, hoje escrevo para todos os técnicos de saúde, fisioterapeutas, enfermeiros, farmacêuticos, médicos, psicólogos,...
Quando paro e penso no meu trabalho considero-me uma privilegiada. Quem trabalha em saúde tem o privilégio de assistir à caminhada do ser humano em momentos marcantes da sua existência. No dia a dia somos como cebolas andantes, cheias de capas e máscaras. No entanto, quando estamos doentes, baixamos todas as armas, todas as defesas e somos nós, para o bem e para o mal. Quem trabalha na saúde "bebe" o ser humano em todo o seu esplendor, em toda a sua verdade. É a vida a saltitar.
Ao longo do tempo tenho começado a perceber algo de mágico que os doentes sentem em momentos de gravidade. Uma serenidade, um bater contra a parede que lhes revela o segredo da vida, que os faz tomar consciência, que os faz apreciar o belo, o verdadeiro, o essencial. Cria-se um fosso entre os que sofrem este abanão e os seus próximos. E nós, profissionais de saúde, estamos presentes. Podemos ser espectadores desatentos ou alunos da vida.  E para aqueles que lidam diariamente com a vida e a morte, uma mensagem, uma palavra de coragem: mais do que ser heróis do impossível, muitos doentes esperam de nós o conforto, o carinho e um sorriso nos seus últimos momentos de vida.
Procuremos ser humildades e sedentos de aprender, com os nossos pacientes e a nossa vida terá certamente muito mais cor.
Um agradecimento muito grande a todos os meus pacientes que comigo vão partilhando e me ensinam a viver.

março 31, 2010

Intervir: porquê e para quê?

Podendo já o ter abordado em algum momento e correndo o risco de me repetir, hoje dedico este pequeno post a um tema de grande importância e que mais do que informar tem como objectivo motivar uma reflexão séria.
Gosto muito, e considero importante realizar tratamentos pre-operatórios, isto é, sessões com um objectivo de melhoria da condição de uma articulação para depois ser submetida a uma intervenção cirúrgica. É importante e facilita o pós-operatório. No caso de uma ligamentoplastia, o facto de um joelho ir mais forte, mais estável, com melhor mobilidade facilita a reabilitação após a intervenção. É igualmente um momento de preparação psicológica e de ganho de confiança. Permite ao doente perceber o que se vai passar a seguir e  dominar os exercícios que numa primeira fase terá de realizar. Contudo, deixa-me um pouco frustrada quando inicio determinados tratamentos convencionais, com o objectivo de evitar uma cirurgia e o doente já vem mentalizado para a intervenção. Quer ser operado e não investe num processo que o poderia retirar do bloco operatório. 
Primeira grande questão, se o objectivo é impedir a cirurgia é necessário que se esteja de corpo e alma, porque isso influência grandemente o sucesso dos tratamentos. Segundo, numa era em que a alteração do estilo de vida é uma proposta inevitável assim como o acolhimento proactivo das recomendação e exercícios a realizar em casa, não estar a 100% significa que não se está disposto a entrar na corrida contra o problema. 
Perguntam vocês nesta fase o que tem tudo isto a ver com o título do post. Na minha humilde opinião, muitas das cirurgias realizadas em ortopedia poderiam ser evitadas com um bom tratamento e o investimento pessoal do doente de que falo atrás. Uma cirurgia não é, ao contrário do que muitas pessoas pensam, a certeza que tudo vai ficar bem. Uma intervenção cirúrgica não é um procedimento inócuo. Tem muitas implicações na saúde em geral porque vamos intervir num corpo que tem uma capacidade incrível de auto-regeneração. Quando entramos modificamos o meio e alteramos as leis do jogo. Assim sendo, a cirurgia deve ser em muitos casos, a última opção. 
É necessário pesar bem os prós e os contras e descartar as soluções mais inócuas. No caso da coluna, porque operar uma escoliose de um adolescente se este não tem dores nem esta comprometido o funcionamento de orgão algum? Fixar vértebras e vértebras para quê? A seguir a fisioterapia pouco poderá fazer para aliviar as dores que vão aparecer por anularmos algumas articulações intervertebrais deixando outras a trabalhar demais para compensar. Porque operar todas as hérnias discais? Algumas delas estiveram presentes tanto tempo sem sabermos. Um dia tivemos uma crise, fizemos um exame e pronto, temos de acabar com ela. Se após os tratamentos, ficarmos sem dor, com a sensibilidade e acção motora normal  porque operar? Quantas vezes alguns anos após a remoção de uma hérnia esta volta a aparecer noutro sítio?

Permitam-me uma crítica social, uma crítica a uma sociedade na qual me incluo e pelo qual também tenho o direito de criticar. Queremos tudo rápido, tudo simples, tudo fácil. A reabilitação exige o nosso tempo, o nosso dinheiro, o nosso esforço. Como eu costumo dizer aos que por mim vão passando, é uma maratona, não uma corrida de velocidade. Será que vale a pena?

Quantas catástrofes o Homem já provocou por tentar alterar a natureza? O nosso corpo faz parte da natureza. É necessário resistir à tentação de provocar alterações que não saberemos controlar.

março 17, 2010

As linhas da globalidade - RPG


Na semana passada estive numa formação avançada de RPG articular com o próprio mestre Philippe Shouchard o que me motivou a escrever. 
Uma fotografia vale mais do que mil palavras, sem dúvida. Esta imagem é de um pescador de Tavira que numa tranquila tarde de domingo tenta "desembaraçar" as suas cordas. A natureza, o Homem nas suas actividades traz-nos imagens excelentes para explicar a realidade. A intuição do senso comum em todas as suas limitações é um grande ponto de partido para a ciência.
Uma lesão ocorre no nosso organismo. O nosso corpo, munido de autonomia tenta a toda o custo fazer adaptações para impedir que todas as lesões cheguem ao consciente. Se cada um de nós tivesse percepção de todas as agressões diárias a vida seria impossível. Seria demasiada informação a processar e a gerir. Morreriamos de stress. O corpo protege as suas hegemonias (funções vitais) e só quando já não consegue mais esconder carrega no botão da dor e informa o sistema central de que o problema fugiu do seu controle. Exactamente como no funcionamento de uma empresa. Os funcionários vão resolvendo os pequenos problemas diários, reportando apenas à Direcção os problemas "major".
O que acontece é que nessa altura a lesão já se transformou numa emaranhada corda de pesca. Não basta tirar um nó, é necessário pesquisar, perceber o trajecto da corda na sua globalidade. Esse é o trabalho a que a RPG se propõe.
No Verão seguinte a ter terminado o curso estive a trabalhar numa clínica de Vila Real de Santo António e guardo com carinho algumas expressões: "parece que tenho aqui uma linha que vai por aqui e por aqui e por aqui"; "melhorei deste ombro mas agora a dor saltou para o outro".
Há muito tempo que o senso comum o sabe, quanto tempo demorará o sistema a reconhecê-lo?
Quando deixaremos de funcionar numa base reducionista de entrar numa clínica para tratar um pulso sem perceber que o aparececimento de uma dor no ombro desse lado tem relação e tem de ser tratado, investigado? Os valores que os seguros, as ARS, a ADSE pagam por tratamento de fisioterapia, a inexistência de entidades que regulem a qualidade dos serviços prestados pelas clínicas e todos os profissionais da reabilitação, o deficitário trabalho em equipa, o desconhecimento das chaves que cada um dispõe para resolver o problema do doente, entre outros, são graves ameaças a que se produza um trabalho de qualidade.

fevereiro 26, 2010

O Stress

Como dizia um professor do meu curso de Osteopatia, o stress é o conceito mais falado do momento mas o menos compreendido. Falamos de stress mas não compreendemos o que ele despolta no nosso organismo e até que ponto poderá provocar alterações estruturais no que somos. Sente cansaço, irritabilidade, palpitações, têm lesões frequentes, o seu coração tem uma frequência acelerada quando termina as refeições, dores de estomâgo frequentes...
No fundo o stress corresponde à tensão a que o nosso organismo é submetido para encontrar um novo equilíbrio quando é agredido. E de que tipo de agressões falamos? Cada um identifica muito bem as suas situações. Há situações que transtornam todos como um chefe intragável, um filho perturbado, o desemprego, uma situação de tragédia como a que se passou na Madeira ou no Haiti. Existem ainda choques climatéricos como a emigração para um país com um clima subtancialmente diferente que constitui uma agressão muito violenta para o nosso sistema neurovegetativo (sistema autónomo, "inconsciente"). Depois temos traumas físicos como uma fractura, uma anestesia geral ou mesmo um parto.
O stress faz parte do nosso meio. Vivemos entre situações de stress e situações de ausência de stress. É normal. No fundo esse é o veículo da evolução do ser humano e da vida, essa é a metolologia do treino desportivo e é também a balança em que cada um individualmente se encontra.
A questão é: vivemos esse equilibrio? Ou já o sacrificámos há muito para atingir objectivos de sucesso profissional e pessoal que não estavam ao nosso alcance. Diariamente convivo com pessoas cujo stress se vai somatizando nos seus músculos, nas suas fáscias, nos seus tecidos. As dores surgem e depois fechamos a cortina do inconsciente e tentamos perceber como apareceram...
Aqui fica o convite a que façamos pequenas pausas para perceber se somos nós que dominamos o stress ou é ele que nos domina a nós.
E como diz um dos meus sábios caseiros, se não podemos controlar conscientemente o stress gerado pela nossa personalidade, podemos ir controlando outros factores para equilibriar as agressões. Coma bem, faça exercício, procure ter momentos em que simplesmente faz coisas que lhe dão gozo.
A mim dá-me gozo fotografar. Partilho aqui a foto de uns pavões num momento de pausa e relação.

fevereiro 08, 2010

Os nossos "avós"

A minha vida profissional, embora pautada pela instabilidade, tem sido um arco-íris de experiências que me enchem e me têm ajudado a crescer como pessoa e como fisioterapeuta. Nesta fase inicio um novo projecto relacionado com a psicogeriatria, as demências, centrado num trabalho em equipa e numa aposta revolucionária de abordar aqueles que são as nossas referências, as nossas memórias vivas, os "avós".
Assinalando este projecto, deixo a letra de uma música da Mafalda Veiga, para abanar as mentes. Desafio comentários sobre este tema, relatos de vivências que vos tenham marcado.



Parado e atento à raiva do silêncio
de um relógio partido e gasto pelo tempo
estava um velho sentado no banco de um jardim
a recordar fragmentos do passado
na telefonia tocava uma velha canção
e um jovem cantor falava da solidão
que sabes tu do canto de estar só assim
só e abandonado como o velho do jardim?

o olhar triste e cansado procurando alguém
e a gente passa ao seu lado a olhá-lo com desdém
sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver
a imagem da solidão que irão viver
quando forem como tu
um velho sentado num jardim

passam os dias e sentes que és um perdedor
já não consegues saber o que tem ou não valor
o teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
pra dares lugar a outro no teu banco do jardim

o olhar triste e cansado procurando alguém
e a gente passa ao teu lado a olhar-te com desdém
sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver
a imagem da solidão que irão viver
quando forem como tu
um resto de tudo o que existiu
quando forem como tu
um velho sentado num jardim

passam os dias e sentes que és um perdedor
já não consegues saber o que tem ou não valor
o teu caminho parece estar mesmo a chegar ao fim
pra dares lugar a outro no teu banco do jardim
o olhar triste e cansado procurando alguém
e a gente passa ao teu lado a olhar-te com desdém
sabes eu acho que todos fogem de ti pra não ver
a imagem da solidão que irão viver
quando forem como tu
um resto de tudo o que existiu
quando forem como tu
um velho sentado num jardim

Perceba melhor os seus músculos (parte II)

Começo por pedir desculpa aos meus queridos leitores por ter passado tanto tempo desde o último post. Tenho andado em mudanças profissionais, mas de forma alguma pretendo deixar de dar continuidade a este blog. Podem continuar a contar com as minhas sugestões e divagações. Eu continuo a contar com os vossos comentários.
Vamos então para a segunda parte do tema músculos. Como escrevia no primeiro post existem as fibras tipo I, tónicas, lentas, resistentes e conhecidas do público sob o nome de Vermelhas e as fibras tipo II, fásicas, rápidas, pouco resistentes e com o nome artístico de Brancas.
Durante muitos anos a Fisioterapia tem-se preocupado com o fortalecimento concêntrico (em encurtamento) dos músculos. Se esta preocupação é benéfica no que concerne os músculos fundamentalmente dinâmicos, o mesmo não acontece com os músculos mais estáticos. Ao trabalhar o encurtamento de músculos que por defeito já têm essa tendência, estamos a contribuir para diminuir a sua eficácia, aumentar o risco de lesão e de patologia articular por aumento do achatamento das articulações. Procurando trocar isto por miúdos para o senso comum. Se uma articulação sofre de uma artrose, existindo por isso uma destruição parcial das supercificies que se articulam e uma dificuldade em produzir movimento, se os músculos estáticos ainda diminuirem o espaço articular, a dor será inevitável. Imagine uma dobradiça sem óleo. Muitas vezes levantamos a porta, para abrir espaço na dobradiça e conseguir abrir/fechar a porta. Nada mais do que um alongamento da musculatura estática que está a causar problemas.
A Reeducação Postural Global (RPG) é um conceito revolucionário, não só pela sua perspectiva global, mas porque reflete sobre a importância da função estática e procura abordá-la na sua especificidade.
Conclusão? Não se tratam colunas com fortalecimento concêntrico da sua musculatura estática, mas com alongamentos, posturas de alogamento, tracção, libertação da camisa de forças em que a nossa função estática se pode tornar.

janeiro 19, 2010

Anti-inflamatórios? Não obrigado.

A auto-medicação é uma práctica altamente perigosa. É de conhecimento geral que a medicação tem também o nome de drogas. A única diferença em relação ao que associamos a este nome é que a maioria não causa dependência. Contudo, os medicamento têm muitos efeitos secundários e estes não devem ser esquecidos quando, com leveza, fazemos uso deles. Uma leitura na horizontal da bula é suficiente para perceber que as famosas pastilhas não são criaturas assim tão inócuas.
A quantidade de anti-inflamatórios ingeridos dispara entre os atletas e a faixa etária mais avançado, mas a sua utilização indiscrimidade é quase um fenómeno social.
Os anti-inflamatórios aportam ao nosso organismo prostaglandinas, responsáveis pela diminuição da inflamação, contudo inibem igualmente a producção desta substância pelo nosso corpo. Outro efeito catastrófico é ao nível do estomâgo. Gastrites, úlceras, hemorragias gástricas, entre outras, são  um conjunto de doenças a que nos expomos.
Anti-inflamatórios em pomada? Esqueça, para ter efeitos teria de utilizar 3 pomadas por dia...
Anti-inflamatórios? Não obrigado, só se responsavelmente prescritos por um médico.
Em substituição o que pode fazer?

Para diminuir a dor tome medicação exclusivamente analgésica como o paracetamol, nas dosagens correctas. Fale com o seu médico ou farmacêutico. Leia as bulas. Depois poderá abrir os seus horizontes e explorar medicamentos homeopáticos como a arnica, um anti-inlamatorio sem os anteriores efeitos secundários, que está disponivel nas farmárcias em granulado e em pomadas.

Notas: Para não tornar este post demasiado exaustivo, fiz uma abordagem muito simples. No entanto, devido à importância deste assunto sugiro que perca alguns minutos na internet a investigar. Estou disponivel para responder a questões.

janeiro 09, 2010

Perceba melhor os seus músculos (parte I)

Todos sabemos que os conhecimentos que hoje dispomos são limitados e redutores. Em ciência os conceitos são verdadeiros até ao dia em que se prova que são falsos. Isso não me choca. É a vida. Vamos fazendo uma aproximação lenta à verdade. Dá  interesse à vida porque torna tudo dinâmico, vivo, palpitante.

O que me incomoda verdadeiramente é que a ciência evolua e no dia-a-dia continuemos a utilizar os conceitos que estão ultrapassados.

Hoje gostaria de falar um pouco sobre os nossos músculos, as suas fibras e a aplicabilidade deste conceito. É um bom exercício para leigos e não leigos na materia.

É de conhecimento geral que os nossos músculos são constituidos por fibras musculares. Existem diferentes tipos de fibras, com diferentes caracteristicas. Vou-me permitir ser grosseira e utilizar apenas a classificação mais simples.
Existem as fibras tipo I, tónicas, lentas, resitentes e conhecidas do público sob o nome de Vermelhas. Depois temos as fibras tipo II, fásicas, rápidas, pouco resitentes e com o nome artístico de Brancas. Os músculos são uma mistura das duas, mas existem predominâncias. Os músculos da estática, músculos destinados a estabilizar para que outros possam produzir movimentos apresentam uma maioria de fibras tipo I. São estes por exemplo os pequenos músculos da nossa coluna, os músculos posteriores da coxa entre outros. São músculos pouco fatigávies pois estão sempre a trabalhar, mesmo quando estamos parados, em pé ou sentados. Os músculos dinâmicos, destinados a produzir grandes movimentos têm uma maioria de fibras tipo II.

E porque vos canso com estas questões teóricas? Porque esta é uma informação que conhecemos há tanto tempo e que temos infantilmente desprezado na nossa práctica clínica e no exercício. Porque estudar um semestre este assunto se ele depois não é tido em consideração na nossa prática?
Não ensinamos uma criança a nadar colocando-a numa bicliceta, do mesmo modo não ensinamos os músculos predominantemente estáticos a estabilizar fortalecendo-os com exercícios dinâmicos. Pelo contrário, estamos a tornar estes músculos que têm uma grande tendência para o encurtamento, ainda menos flexíveis e cada vez mais encurtados. E é assim que aparece a patologia articular.

Deixemos de tratar colunas como se fazia do século passado, com lombares, abdominais à tropa, calor e massagem!

O exercício tem feito um esforço muito interessante neste sentido com a introdução do treino do core.
Depois desta explicação deixo uma imagem dum exercicio que espero nunca ver um leitor deste blog fazer. Não só pela fisiologia muscular mas também pelo respeito das nossas curvaturas, pelo respeito da biomecânica!! Quantos de vós sentiram dor após este exercício?


Qual o interesse de estimular a hiperlordose?
Deixo-vos com algumas imagens de exemplos de exercícios muito interessantes. Se não tem patologia procure um bom profissional do exercício que lhe explique o que é o treino do core. Se já tem dor ou alguma patologia diagnosticada, procure um fisioterapeuta.


janeiro 02, 2010

Afinal o que é a Osteopatia?

Foi interessante a reacção ao post anterior. Não, não somos seres assim tão tão racionais. São os assuntos que tocam os nossos sentimentos e emoções, que beliscam a nossa hierarquia de justiça que nos abanam e nos mobilizam.

Aproveito para desejar que encarem este ano como um início. Somos tantas vezes copos que só necessitam de uma gota de água para transbordar, nas nossas relações, nos nossos trabalhos. Vamos deitar toda a água fora e começar de novo. Boa sorte. Bom percurso de mudança.

Falando sobre mudança, hoje gostava de abrir um pouco a janela deste tema "Afinal o que é a Osteopatia?", de uma forma muito simples e muito minha.
Muitas pessoas pensam que os osteopatas são uma especie de endireitas mais sofisticados, outros que é algo que só se procura se os "seguríssimos" métodos tradicionais não funcionarem, outros recorrem mas às escondidas dos médicos porque esta é uma terapia "alternativa" e como alternativa não é bem aceite pela comunidade científica e depois os médicos podem ficar chateados... E você que está a ler este post, o que pensa?

A Ostepatia é uma abordagem terapeutica muito interessante, que ao contrário do que se pensa não tem nada de alternativo ou de ilícito. É uma abordagem bem suportada teoricamente e que necessariamente vai crescer em Portugal e na Europa. Por exemplo nos EUA ninguém acha estranho que se recorra aos quiropratas ("primos dos osteopatas"). O grande problema é que a ciência e a medicina rotulam as coisas que conhecem e dominam como boas e as outras... É verdade, falta passar o teste do método experimental, embora já tenha passado o teste dos doentes. Contudo, trata-se de um ciclo vicioso. Não é reconhecida, não é praticada em contexto clínico, não há apoios nem motivação para "perder" horas a escrever papers sobre o assunto.

E pronto, já fugi do tema. Vou utilizar um pequeno exemplo. Imaginemos uma fábrica cheia de trabalhadores, uma empresa, o nosso local de trabalho. A estrutura desta empresa são os trabalhadores. Em todos os trabalhos existem sempre os que trabalham mais e aqueles que se baldam um pouco. No final o trabalho aparecerá necessariamente feito porque os mais trabalhadores vão compensar o trabalho que deixou de ser feito pelos preguiçosos. Quem tem mais desgaste? Os trabalhadores exemplares. Um dia este sistema de equilíbrio entra em falência e começam a surgir os problemas. Os empregados não são mais do que os componentes do nosso corpo, por exemplo as articulações entre as nossas vértebras. Onde aparecerá a dor? Nos trabalhadores que mais trabalham. O que faz a Osteopatia? Como um patrão, circula pela empresa procurando encontrar os trabalhadores preguiçosos e colocando-os a trabalhar. Um novo sistema de equilibrio se inicia, porque no final de contas o grande objectivo e o trabalho final, potenciar o movimento do nosso corpo e eliminar a dor.

Um dos primeiros lemas da Osteopatia é "find it, fix it and leave it alown". Encontra a lesão, trata-a e deixa-a que o corpo fará o resto do trabalho. É por isso que na Osteopatia não existem tratamentos diários. O nosso corpo é o principal médico dele mesmo, só precisa de ajudas pontuais. Assim sendo, os profissionais de saúde deveram ser mais facilitadores de saúde e menos intervencionistas.