maio 22, 2018

PLAGIOCEFALIA. PARA OS PAIS. A MINHA VERDADE.

Gostava que não fosse esta a minha opinião mas é. A plagiocefalia é uma assimetria da cabeça cada vez mais frequente. Para prevenir a morte súbita começámos a deitar os nossos bebés de barriga para cima e bem porque diminuiu muito o número de bebés que é vítima desse acontecimento tão cruel. Contudo, os bebés passam agora muito tempo com a parte de trás da sua cabecinha apoiada (osso occipital) e o número de plagiocefalias aumentou.
Não é só um problema estético, embora também o seja, sendo a estética algo importante. É também um problema funcional. A plagiocefalia, pela assimetria, aumenta a probabilidade de aparecimento se alterações na visão e de más oclusões, promove o aparecimento de escoliose e tende a atrasar o desenvolvimento sensório-motor do bebé. Muitas das crianças com plagiocefalia não tratada tendem a ser menos coordenadas, equilibradas, a ter um esquema postural mais pobre.
Não, não se trata uma plagiocefalia com apenas uma sessão. A duração do tratamento varia em função do caso, da progressão.
A plagiocefalia quando não tratada tende a piorar nos primeiros 6 meses, altura em que o bebé passa mais tempo deitado. Estes primeiros meses são também aqueles em que o tratamento é mais eficaz, porque as suturas ainda não se fecharam e por isso há mais margem para trabalhar.
Sim, o tratamento é exigente para os pais. O posicionamento é fundamental na melhoria da plagiocefalia.
Hoje queria dizer-vos isto.
Há tudo a fazer, mas é fundamental um rastreio precoce, uns pais motivados e o tratamento certo.




abril 19, 2018

Estás grávida? Estas são as 10 coisas que eu gostaria, com carinho, de te dizer



No meio de tanta informação e desinformação, de tantas dicas contraditórias e da insegurança que trazer um bebé ao mundo sempre acarreta, hoje escrevo para as grávidas. Numa primeira gravidez normalmente há mais tempo para ler e para refletir sobre como será quando ele nascer. Há 10 coisas que eu acho que todas as grávidas deveriam escutar (e não só ouvir):


1. Quando o bebé nascer pode cometer alguns erros, ter dúvidas e em alguns momentos sentir-se insegura. É normal, somos seres humanos, amamos os nossos bebés mais do que tudo na vida e estamos a aprender a ser pais. Siga o seu instinto e tudo será mais fácil.

2. Amamentar pode causar dor, pode não ser tão simples para todas as mães e todos os bebés, mas vale a pena. Procure ler sobre amamentação agora e se sentir que precisa procure ajuda. As conselheiras de amamentação, grandes defensoras deste bem que é ser amamentado,  podem ajuda-la a vencer as dificuldades. Em alguns casos, uma consulta de osteopatia também pode ajudar a desbloquear o processo.

3. Quando começar a procurar carrinhos, faça também um workshop de babywearing, para descobrir as inúmeras vantagens que esta forma de transporte (e não só) podem ter para o seu bebé.

4. Ouse pensar sobre o seu parto com liberdade. Sim, existem várias opções, sim, não tem de ser passiva neste dia mágico. Procure esclarecer com o seu médico todas as questões que tem, fale com recém-mamãs sobre o parto, procure informação de qualidade sobre o tema. Quanto menos interferência no parto, melhor para o seu bebé. A indução, a cesariana, a episectomia, a instrumentalização no momento do parto, devem ser planos B, criteriosamente ponderados. 

5. Pode começar a deitar o seu bebé de barriga para baixo (tummy time), quando ele estiver acordado e vigiado, desde o nascimento. Essa posição é ótima para o funcionamento da sua barriguinha e promove o fortalecimento dos músculos da cabeça. Comece devagar, por exemplo depois de cada muda de fralda. O tummy time pode ser feito no seu colo, no tapete, nos seus braços, no seu tronco.

6. Dê muito colinho, não vai estragar o seu bebé. Os bebés vivem 9 meses no SPA quentinho que é a sua barriga, embalados pelo seu movimento e pelos som do seu corpo (batimento cardíaco, voz, ruído dos intestinos). É normal que precisem de um tempo de adaptação ao novo mundo.

7. No início desta viagem o seu bebé vai perceber os limites físicos do seu corpo e estabelecer relações através do toque. Os bebés são nesta fase essencialmente sensoriais. Se a deixar mais confiante faça um curso de massagem do bebé. O vínculo começa a estabelecer-se através do toque. Abuse do contacto físico.

8. Pense em realizar uma avaliação do seu períneo com uma fisioterapeuta que trabalhe com reabilitação perineal às 6 semanas de pós-parto. A gravidez e o parto podem ser bem exigentes para este músculo tão importante da esfera ginecológica. Previna com esta avaliação disfunções urinárias, sexuais e patologia infecciosa do seu sistema uroginecológico. 

9. Não é a super mulher. Peça ajuda, comece desde já a pensar sobre o assunto. No primeiro mês vai estar mais cansada, é mais difícil planear e tomar decisões.

10. Assim como vai marcar consulta com o pediatra ou o médico de família, pense também em realizar uma avaliação de Osteopatia com o seu bebé. Não espere que as alterações surjam, previna.


Faça castelos e planos, e depois aceite com um sorriso que nem tudo correrá como planeado, mas será a viagem mais fantástica da sua vida, ser e crescer como MÃE.


março 19, 2018

Alterações posturais

É normal?

ALTERAÇÕES POSTURAIS.
Muitas vezes surge a questão "É normal?". Existem muitas variações posturais que podem ser consideradas normais, outras não tanto mas que acabam por passar com a idade e outras que ficam se não forem tratadas.
Em caso de dúvida aconselho sempre que se faça uma avaliação porque o tempo é o nosso maior inimigo, no caso das alterações posturais. Se necessitar de tratamento, quanto mais cedo melhor. 
Deixo como exemplo as plagiocefalias não sinostóticas, com melhor prognóstico se o tratamento for antes dos 7 meses. Muitas vezes os pais aguardam que a assimetria passe, sem saber que se encontram nos meses de ouro para tratar a alteração. Atenção, as plagiocefalias sinostóticas têm indicação cirúrgica, mas também neste caso, quando mais cedo for realizada a intervenção melhor!
Para além de bebés, trato também adolescentes, com osteopatia e/ou com RPG (Reeducação Postural Global). A RPG é uma técnica muito efetiva que trabalha a postura globalmente, atuando nas cadeias musculares e promovendo o alinhamento do corpo. Por vezes as alterações posturais espelham a agitação interior, a insegurança de uma fase da vida de profunda descoberta de si e do outro, mas a identificação das alterações ajuda-os a lidar com a questão. Perceber, tomar consciência é uma parte importante da resolução do problema.

Não fique com dúvidas, marque a sua avaliação. 

Nota: No arquivo do blog tenho outros posts interessantes sobre escolioses, alterações na coluna, RPG.





março 06, 2018

Tummy time


O meu novo vídeo é sobre TUMMY TIME. Espero que gostem.

O TUMMY TIME deve ser realizado com a presença do adulto, para que o bebé se sinta acompanhado e em interação e não abandonado numa posição que inicialmente requer algum esforço. Estabeleça contacto visual com o bebé, fale com ele ou utilize brinquedos para que este seja um momento divertido.
Como digo no vídeo, o tempo que cada bebé “deve” permanecer na posição é definido pelo próprio, pela tolerância que tem à posição. Com o passar do tempo estes períodos vão sendo, com naturalidade, cada vez maiores.
Disfrutem deste tempinho.

"BACK TO SLEEP, TUMMY TO PLAY"





janeiro 11, 2018

A Osteopatia/RPG (Reeducação Postural Global) e as Artes Performativas


A aprendizagem das Artes performativas, música, dança e teatro, exige muitas horas de prática em posturas por vezes exigentes, repetitivas e assimétricas. A possibilidade de aparecimento de patologia/lesão num corpo não cuidado é elevada. Para adquirir uma boa técnica, potenciar a criatividade e expressar o intangível é fundamental que o corpo esteja em equilíbrio, sem dor e que exista uma forte consciência postural. O cuidado do corpo, a prevenção da patologia e/ou o tratamento precoce da mesma melhoram a longevidade da pessoa enquanto performer.
Esta consciência da necessidade de cuidar do corpo, de o conhecer e respeitar terá mais frutos se for desenvolvida desde cedo nos espaços formativos.
A consciência postural ajuda a melhorar o desempenho técnico do instrumento no caso da música, ou do corpo na dança e no teatro. 


Está cansado de ter dor?
Já adiou a correcção da sua postura vezes de mais?

Comece o ano a tratar de si.


janeiro 02, 2018

Vai começar a correr em 2018? Tenho 5 dicas para si

Muitas são as pessoas que aproveitam a chegado do novo ano para iniciar a prática da corrida.  É um atividade física que requer pouca logística e custos, que pode ser praticada com ou sem companhia, independentemente das condições meteorológicas, que se ajusta aos horários profissionais e familiares, ganhando por isso adeptos, ano após ano.

Se uma das suas new year´s resolutions é começar a correr, este artigo é para si. Antes de começar há alguns cuidados que deve ter em consideração para evitar lesões.


1. Compre umas SAPATILHAS adaptadas a si.
Provavelmente terá em casa umas sapatilhas antigas, mas é importante perceber se apesar de ainda estarem novas por fora continuam a ter uma boa capacidade de amortecer. Compre umas sapatilhas adaptadas ao seu peso, ao seu pé, ao seu tipo de apoio, específicas para corrida. Evite sapatilhas de competição que, apesar de muito leves e por isso atrativas, amortecem muito pouco. Respeite a sua duração de vida porque depois disso deixam de o proteger do impacto.

2. Treine também a sua FLEXIBILIDADE.
O treino da flexibilidade deve ser uma componente do plano de treino de qualquer corredor amador ou profissional. Se o seu corpo se encontra dentro de uma “camisa de forças” terá mais dificuldade em progredir, em se adaptar aos diferentes terrenos, começará a ajustar a técnica de corrida às suas limitações e a lesão acabará por chegar. Não confundir treino de flexibilidade com alongamentos suaves a realizar no final da corrida para ajudar os músculos a relaxar e a voltarem ao seu estado inicial. O treino de flexibilidade deve ser realizado fora dos momentos de fadiga. Opte por realizar poucos alongamentos de cada vez, mas faça-os com calma, o músculo precisa de tempo para “aceitar” o alongamento, progressivamente e evitando compensações.

3. Complemente a corrida com TREINO DE FORTALECIMENTO muscular, fortalecimento de core (treino funcional) e/ou pilates. Correr é uma atividade muito completa mas não chega. Procure por si ou com acompanhamento, 1 ou 2x por semana realizar um treino simples de fortalecimento muscular específico para corredores, para equilibrar os diversos grupos musculares, melhorar o seu core e o seu equilibro.

4. Inicie progressivamente a prática da corrida, dando tempo ao seu sistema músculo-esquelético e ao seu sistema cardiorrespiratório para se adaptar ao treino. Se não pratica exercício físico há algum tempo, mesmo que esteja muito motivado para atingir resultados rapidamente, comece com calma. De preferência procure ser acompanhado por um profissional (treinador, PT, professor de educação física, fisioterapeuta desportivo) que lhe dará indicações sobre a corrida ou lhe realizará um PLANO DE TREINO. O equilíbrio entre treino e descanso é fundamental para que não se lesione. Procure descansar bem, hidratar-se e ter uma alimentação saudável.

5. Faça uma AVALIAÇÃO INICIAL com um fisioterapeuta/osteopata/RPGuista. Todos temos desequilíbrios musculares/posturais que quando não tidos em conta no treino podem desencadear lesões. Conheça o seu corpo e aprenda formas de se proteger. Faça uma sessão regular de osteopatia para eliminar as tensões/bloqueios que o seu corpo vai naturalmente acumulando.


Bons treinos e um excelente 2018.

Fisioterapia Respiratória em Bebés